Motivação: discutindo o conceito.

Roda pela internet a história de um experimento feito com cinco macaquinhos.

Acho que ela merece destaque aqui.

Cinco macacos foram colocados numa jaula, com uma escada que dava acesso a um cacho de bananas. Um procedimento foi estabelecido pelos experimentadores: para cada macaco que subisse na escada para pegar a banana, os que ficassem embaixo, levavam uma ducha de água fria. Parece que água fria é aversivo para macacos.

Quando o macaco que tinha subido na escada descia, ele era imediatamente atacado pelos quatro que ficaram embaixo, caracterizando o estabelecimento de culpa, na comunidade dos macacos.

Parece que os quatro que não subiam, atribuíam a culpa da ducha fria ao que subiu. Repetidas vezes, os macacos tentavam subir, e repetidas vezes os outros levavam a ducha e, repetidas vezes o que subia, apanhava.

Quando os experimentadores perceberam que nenhum deles mais ousava tentar pegar as bananas, introduziram outra parte no experimento: tiraram um dos macacos que era “veterano” e colocaram um macaco “virgem” que não havia participado das “surras” nem do banho frio.

A primeira coisa que o macaco “virgem” fez (normalmente nesses experimentos os animais são privados de alimentação por um tempo controlado) foi subir na escada.

Não havia mais ducha fria.

Os macacos debaixo da escada não foram mais agredidos pela água fria.

No entanto, o pobre ingênuo, ainda assim, levou sua surra.

Os experimentadores continuaram a trocar os macacos “veteranos” por macacos “virgens” até o último.

Mesmo assim, nessa comunidade estabeleceu-se o temor de subir as escadas,levar a ducha fria e apanhar. Até que, mesmo depois do último macaco virgem ser introduzido na jaula, nenhum mais subia na escada, apesar de alimento ser um item de subsistência da espécie.

E, estampado no final da história, o autor propôs uma moral: Se fosse perguntado a eles (os virgens) porque não se subia nas escadas, a resposta provavelmente seria: “- Não sei, sempre foi assim!!”

Parece que quanto aos conceitos que usamos no nosso dia a dia, as coisas ocorrem exatamente dessa maneira.

Usamos as palavras indiscriminadamente sem saber seu significado, coisa que não é a mais grave!!

No meu entender, o mais grave é não termos a atenção para isso, e não termos a curiosidade de investigar porque estamos fazendo aquilo daquela forma, e se não pode existir outras formas das coisas serem feitas ou entendidas.

Citando Nietzsche: “… A “virtude”, o “dever”, o “bem em si”, a bondade fundamentada na impessoalidade ou na noção de validez universal – são todas quimeras, e nelas apenas encontra-se a expressão da decadência, o último colapso vital, o espírito chinês de Konigsberg… Uma nação se reduz a ruínas quando confunde seu dever com o conceito universal de dever…”(F. Nietzsche… O Anticristo, aforismo 11, grifo meu), busco respaldo aqui para minha colocação.

Sinto-me até um pouco inibida de continuar a escrever após citar Nietzsche, mas de qualquer forma, encontro nele, traduzido em palavras, muito daquilo que eu gostaria de ter sabido escrever e que ele já o fez.

[box] A nossa atitude conformista com a maioria das coisas com que convivemos, como se elas fossem assim e assim têm que permanecer “ad eternum”, nos coloca num marasmo, em uma depreciação da vida.[/box]

Motivação é um desses conceitos que são discutidos, com uma confusão de filosofias, dependendo de para quem ou para que ele possa servir.

De acordo com o que eu penso, com a experiência que tenho no consultório, acho meio difícil a definição de motivação. Você já deve ter percebido, se leu esse e outros artigos de minha autoria, que considero que todas essas definições têm um caráter muito mais pessoal do que parece por aí.

Nesse sentido, motivação deve ser para cada um, parte de seu mundo muito particular, quando ele faz, pensa, e age, muitas vezes na direção de realizar algo de bom para ele e, conseqüentemente, para os outros.

[box] A maioria dos conceitos define motivação reportando-se ao comportamento visto, ouvido, realizado. Mas motivação, no meu entender, é algo anterior à manifestação; é muito mais uma decisão pessoal do que o comportamento manifesto.[/box]

Motivação é o valor que você dá ao que você fala, com o que você se compromete.

A recompensa da motivação não pode ser fator externo e, pelo visto não é, pois senão, elogios, dinheiro, prêmios de forma geral, sempre funcionariam na consecução de metas e, sabemos que geralmente não é assim que funciona.

O retorno da motivação, a recompensa (sou meio relutante em usar tal termo, pois ele sempre nos remete para fatores externos, e eu me refiro aqui a fatores internos) tem que ser sua satisfação com você.

Por que, normalmente damos mais importância à consecução de valores materiais do que para o que sentimos e pensamos a nosso respeito?

Isso tudo nos reporta a uma análise mais detalhada de nós mesmos, um respeito maior por nós do que temos tido, um não conformismo com regras prontas e uma luta para promover mudanças.

Afinal, sabemos que toda grande mudança na história do homem, toda revolução no modo de pensar, que acabou por trazer benefícios para muitos, vieram de pensamentos contrários aos do momento histórico.

Sabemos que muitos desses homens, não tiveram lá na sua época reações muito boas a respeito de suas posições contrárias. Mas sabemos que a aceitação acabou por vir.

Não estamos propondo aqui que você aja em prol da humanidade, nem que você seja “do contra” o tempo todo, mas sim, que se dê o direito de discordar, no meio que você vive, que aceite idéias contrárias às suas.

Isso tem tudo a ver com motivação, na medida em que entenda o direito em discordar, como um início de raciocínio próprio, que pode levar a novas maneiras de resolver e (quem sabe?) solucionar coisas!!

 

Iná Poggetti

 

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