Dicas: Crianças II

Esse post é uma sequencia de “Dicas: Crianças”, publicação da semana passada. Se tiver interesse em saber o início, leia o post anterior.

 

Não os tenha se não quiser assumir as responsabilidades antes citadas.

Ainda não é muito comum, mas mais comum do que “ontem”, casais que não têm filhos. É uma posição muito honesta, não compreendida pela maioria das pessoas, mas cada vez mais existem pessoas investidas nessa opção. Acredito que nesses casos, as pessoas tomaram uma decisão e tem todo direito de fazê-lo e pessoalmente acredito que merecem todo nosso respeito.

Se já os tem, não delegue responsabilidades para babás, escolas, amigos, etc.

Não delegar responsabilidades não significa não ter babás ou levá-los a escola, amigos… significa que você não pode querer que uma babá, uma escola e amigos, tenham o mesmo conteúdo que você como pai ou mãe pode ter.

Ao contrário do que você possa pensar isso é mais comum do que desejaríamos que fosse, e muitas vezes, com as desculpas muito aceitas hoje em dia de “mãe que trabalha”, “pai ocupadíssimo”, fazemos vista grossa para essas coisas.

Não delegar responsabilidades não significa não deixar os filhos sob os cuidados dos citados acima.

Como já dito acima, não significa que você não pode deixar seus filhos sob cuidados acima citados. Significa que muitos pais acham que babás, escolas, amigos, substituem facilmente qualquer falta que eles possam fazer.

No caso acima, você está claramente construindo a ideia de seu não valor para os seus filhos.

E não estou me referindo à quantidade de tempo que você passa com seus filhos, estou me referindo a como você passa o tempo com seus filhos.

Significa que eles (babás, escolas) não podem dar a seus filhos o que você, como mãe ou pai, pode e deve dar.

É interessante verificar pais muito ocupados e deixando os filhos com babás e em determinada época assustando-se com os comportamentos das crianças.

E é mais comum ainda pais assustarem-se e perceberem o comportamento de seus filhos quando eles estão praticando algo que, segundo os pais, não deveriam. O que consideramos inadequado chama muito mais atenção do que consideramos adequado.

É muito menos frequente vermos e apontarmos comportamentos que a criança tem os quais valorizamos. Geralmente quando isso ocorre, ficamos quietos e sossegados. Mas em oposição, o comportamento indesejado chama grandemente a nossa atenção e é imediatamente apontado. E muitas vezes tornamos isso um “senhor dramalhão”.

Amar os filhos é deixá-los assumir responsabilidades por seus atos.

Já vi pais assumindo a responsabilidade de ações por seus filhos em nome do “amor” e supostamente no instinto de “proteção”.

Posso afirmar que isso não dá certo. A criança não aprende a se responsabilizar por seus atos e “conta sempre com a conivência dos pais”.

Se, desde pequenino a criança é responsabilizada por suas ações ele aprenderá sem traumas a responder por essas ações.

Pais orientam seus filhos em como assumir tais responsabilidades, sendo elas boas ou más.

Existe uma grande diferença entre encobrir a responsabilidade da criança e ajudá-la a resolver a decorrência de sua ação. É muito diferente você dizer que foi “o gato que quebrou o vaso” de você dizer que foi o júnior, e que pode-se resolver o assunto comprando outro vaso. E, pode dizer pro júnior que o valor do vaso vai sair da mesadinha dele, mesmo que seja em dez prestações. Tudo isso pode ser dito e resolvido sem agressividade e sem nenhuma punição além daquela que a criança já teve, ao assustar-se quebrando o vaso e pelos dez meses seguintes em que você descontará um real de sua mesada.

Essa providência agora será de muito bom uso para sempre na vida da criança se você não cair na esparrela de entrar no jogo de “ó coitadinho do júnior”.

Ensine seu filho desde pequenino; não faça de conta “que aquilo não foi nada” por que afinal, ele era muito pequenino para entender. Mas também não faça “tempestade em copo de água”.

Lógico que idades diferentes, precisam de orientações diferentes; isto é: se a criança ainda não tem idade para ter mesada, a conversa terá que ser outra.

Crianças pequeninas podem não entender palavras ainda, mas elas entendem gestos de aprovação e desaprovação.

 

Quanto aos gestos de desaprovação, não faça um dramalhão.

Fato muito comum em nosso modo de viver é fazer dramalhão com várias coisas que acontecem. Uma “vertente” disso é a chantagem emocional que todos nós temos a incrível habilidade de reproduzir com nossos filhos. Digo reproduzir, porque, se o fazemos, certamente aprendemos, ou com nossos pais, ou amigos, etc.

A chantagem emocional, é mais corriqueira do que se pode pensar. Ela está presente desde a tenra infância e na adolescência e depois na nossa vida adulta.

A base da chantagem é a seguinte: faça o que eu quero que você terá o meu reconhecimento. Diferente de ter o meu reconhecimento quando a criança faz uma coisa legal.

Claro que é uma frase curta para o significado em termos de ações e emoções, mas minha proposta aqui é de dicas… então discorrer sobre ela fica para outra ocasião.

Iná Poggetti

 

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