Dicas crianças IV

Como dito no post anterior, eis a continuação de “Dicas: Crianças III”

Dê sua aprovação fazendo um carinho, sorrindo, por exemplo.

Quando substituímos nosso valor por valores materiais, mostramos para a criança um modo de barganha complicado e do qual nos arrependeremos muito em breve. Já vi pais chantageados pelos filhos da mesma forma que fizeram com a criança anteriormente. Quando, pelo fato de o júnior ser adequado, ser recompensado por uma bela festa, estamos nos colocando em segundo plano, atrás de bens materiais.

Esse é um dos caminhos no qual, nós como pais começamos um processo de destruição de nossa autoridade e responsabilidade por aquela criança.

Para quem já se apressou em protestar, vai aí um adendo:

Não estou dizendo que não podemos dar coisas para nossos filhos; estou dizendo que devemos dar coisas para nossos filhos sem condicioná-las dessa forma a comportamentos, pois é certo que essa criança aprenderá (criança não é boba como às vezes pensamos) e também começará a agir da mesma forma, só que de modo inverso; mais ou menos assim: “…então pai, (ou mãe) quando você me der o que eu quero eu faço o que você quer….” A criança não construirá tal frase certamente, mas se comportará de acordo com tal frase.

Já sei que ouvirei protestos de profissionais que usam reforço positivo, isto é: balas, chocolates, etc. como recompensa por comportamentos apresentados e considerados adequados. Esses profissionais esquecem que, junto com isso, dirigem-se à criança com um sorriso, um carinho e enfim uma atenção especial. Posso dizer que é tudo o que a criança precisa.

Dar presentes aos filhos, quando condicionados a comportamentos específicos, dá às crianças, como já disse antes a ideia de barganha e, cada vez que essa criança quiser algo material, ela vai apresentar algo inadequado para conseguir. E aí o bom profissional que observa as decorrências de suas aplicações normalmente se pergunta: “Puxa vida! Quem controla quem? Os pais controlam o filho? Ou o filho é que controla os pais?

Então, sei que você pode achar que estou indo contra uma técnica estudada e defendida a respeito do condicionamento do comportamento humano, mas na verdade estou indo contra o tipo de recompensa que é orientado a ser usado. Sugiro que você use somente sua atenção, seu carinho e não coisas materiais.

 

Quando as crianças são pequenas, os pais são modelos para os filhos.

Na infância, se considerarmos uma situação de praxe, isto é: uma família comum, podemos ver que a criança se espelha nos adultos que estão a sua volta para se desenvolver. É nesse momento que ouvimos: “Saiu ao pai escarrado”, ou “Tal pai, tal filho”, e outras observações nesse sentido.

Então, nesse período de formação é de suma importância que pratiquemos auto-observação para entendermos muito do comportamento de nossos filhos. Não temos o hábito de prestar atenção a isso, mas frequentemente fazemos críticas aos filhos, sem nos darmos conta que eles estão simplesmente nos imitando.

No consultório é comum pais fazerem queixas dos filhos e, depois de algum tempo de conversa, entenderem que o comportamento deles é que originou o do Júnior ou o da Mariazinha.

A vinda dos filhos para nossas vidas é uma imensa oportunidade de crescimento e aprendizado para nós pais, se entendermos a importância que representamos para eles.

 

A primeira infância é de grande importância na criação dos filhos.

A bem da verdade, todas as fases da vida dos filhos são de grande importância tanto para nós quanto para eles. Acredito que a fase infantil seja a que mais chama a atenção dos pesquisadores e estudiosos a respeito dela porque é a fase em que a criança normalmente se encontra a maior parte do tempo em contato com a família.

Não estou descartando aqui a personalidade de cada criança que lê os eventos usando suas próprias características. Mas também não podemos descartar a forte influência que o ambiente apresenta nesse espaço de tempo.

É um período delicado, especialmente se a mãe e o pai forem “de primeira viagem”, pois como já foi dito, as crianças não vêm com manual de instrução, e como “iniciantes” temos muito mais medos e inseguranças do que no segundo ou terceiro filho. No caso do segundo e do terceiro, já aprendemos com o primeiro.

Uma coisa que acho de grande importância é nos aceitarmos como seres em ritmo de aprendizado e não querermos acertar sempre. Se você observar essa palavra, “acertar” vai ver que ela vem desprovida de referência ou ela vem carregada de certezas por parte da mãe da mãe (avó da criança), ou da sogra.

Me refiro às mulheres, porque poucas vezes vi avôs palpitando sobre a educação dos netos com as filhas ou noras. Mas isso é a minha experiência, o que não significa que não haja avôs palpiteiros…

Não cabe aqui entrar na discussão da participação dos avós na vida da criança, mas quero esclarecer que não sou contra a participação deles, pelo contrário, acho ótimo os filhos que tem avós para conversarem e se relacionarem. O problema é que em algumas vezes esses avós têm tanta certeza da maneira “certa” de criar os netos, que não deixam espaços para novos aprendizados, e com isso as mães e pais simplesmente repetem o que aprenderam sem modificar nada, inclusive aquilo que eles não gostaram em suas próprias vidas.

Iná Poggetti

 

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