Brick Visual

Entrevista feita por Meshmag

Em apenas alguns anos, eles cresceram de um punhado de pessoas para uma empresa que emprega mais de 40 profissionais – Entrevista com Brick Visual

por Meshmag, revista on-line da escola Mesharray de computação gráfica.

Tradução para o português: Józsa Dávid.

Como a Brick conseguiu expandir seu quadro de funcionários para os quarenta funcionários atuais, quais são suas prioridades na criação de um ambiente de trabalho e, finalmente, como eles alcançam constantemente seus treinamentos e melhorias. Estes são alguns dos temas abordados em nossa conversa com András Káldos, co-fundador e CEO da Brick Visual. 

Meshmag: Por favor, faça uma breve introdução da Brick Visual para os leitores!

András Káldos: A Brick Visual é um escritório criativo de visualização arquitetônica. Nossa equipe de arquitetos, profissionais de TI e criativos trabalham consecutivamente em uma série de projetos internacionais a partir do nosso escritório sede em Budapeste. Começando com casas familiares há quatro anos, temos lentamente conseguido alcançar um certo nível, onde recebemos trabalhos de escritórios de grande porte, como a Snohetta ou Perkins + Will por exemplo, e toda a história se expandiu de um punhado de jovens entusiastas para uma empresa de médio porte.

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Como foi no início? O que você imaginava quanto a fundação da empresa e como conseguiram fazer funcionar?

Em 2012 decidimos fazer nosso próprio negócio, e então já tínhamos mais de 10 anos de experiência como freelancers. O mercado húngaro não parecia ser uma oportunidade em potencial, por isso, delinearam-se duas opções: mudar para o exterior ou ficar. Escolhemos a segunda opção, a mais difícil, e tentamos começar a construir uma rede de clientes internacionais. Sabíamos que, desde o início, independentemente da qualidade do nosso portfólio ou os anos de experiência que temos, é realmente difícil prevalecer e vingar nessa região. Assim, procuramos criar uma rede internacional de contatos com foco em mercados específicos. Esta estratégia acabou se provando viável. Ela nos ajudou a aumentar as vendas, melhorar a qualidade dos nossos recursos visuais e fazer parcerias valiosas com diversos clientes de renome.

Quais são os benefícios de ser uma grande empresa e, pelo contrário, por que é que vale a pena ser um freelancer?

Olhando para trás, para o início e vendo a concorrência, agora pensamos que a indústria de visualização pode empregar com sucesso um grande número de estúdios e freelancers. Uma grande empresa como a Brick tem diversas vantagens e desvantagens ao mesmo tempo. Por exemplo, nós podemos entregar projetos de larga escala em um prazo muito apertado, nós temos a capacidade de estar tecnicamente mais preparados (renderfarm interno ou nosso próprio green box) e o mais importante, o know-how é mais diversificado em uma equipe maior. Estas dimensões, como empresa, também nos permitem entrar em contato com clientes que de outra forma seriam inacessíveis através de um simples questionário. Devido a nossa capacidade, somos capazes de realizar e entregar grandes projetos rapidamente e construir uma parceria de longo prazo, mesmo com um prazo curtíssimo. Quando se trata de projetos menores, muitas vezes ficamos para trás na concorrência dos preços.

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Como você vê o mercado atual em termos de carga de trabalho e de concorrência?

Tem havido uma procura crescente dos serviços de visualização de alta qualidade nos últimos anos e, portanto, a concorrência torna-se mais intensa também. Enquanto empresas do Ocidente Europeu tem estado presentes no segmento “high-end” há algum tempo, os seus homólogos do Leste europeu estão apenas chegando neste nível. Eles são capazes de fazer bonito e com um serviço de alta qualidade de forma muito eficiente e por um preço consideravelmente menor. Consideramos que a Brick Visual pertence a este último grupo. É importante salientar que empresas asiáticas estão melhorando continuamente, tanto na qualidade quanto no conhecimento técnico desse tipo de serviço. Ainda não estão no limiar dos serviços “high-end”, mas definitivamente estão chegando perto.

O fato de que vocês estarem em constante expansão e seus projetos estarem se tornando cada vez mais sérios confirmam essa sua abordagem. No entanto, a fim de manter este desenvolvimento contínuo, a educação das gerações futuras é essencial. Como você vê essa situação?

 

Uma das principais razões do nosso sucesso é a equipe. Voltando ao início, uma forte equipe de profissionais junta suas forças e se torna a Brick Visual. A partir daí, tentamos garantir e criar diversas oportunidades de constantes treinamentos para os recém-chegados colegas, menos experientes, a fim de torná-los funcionários de valor integral. Este princípio acabou provando-se muito eficaz em curtos e longos prazos. O número de profissionais com potencial para nós no mercado húngaro encolheu ultimamente, por isso hoje 90% dos nossos novos colegas são oriundos do exterior. A maior parte da equipe tem alguma espécie de embasamento e estudos na área de arquitetura e isso tem se provado essencial nesse tipo de trabalho.

Como você analisa o mercado atual de treinamentos e cursos de visualização arquitetônica na Hungria?

Por um lado, há um grande número de graduandos em arquitetura nas universidades húngaras e muitas vezes eles são incapazes de encontrar um emprego certo na sua profissão. Por isso alguns deles acabam se voltando para o mercado de visualização arquitetônica. No entanto, não há cursos e treinamentos específicos para a visualização arquitetônica, nem nas faculdades de arquitetura, e nem em qualquer outro lugar. Além de conhecer os programas e ter uma licenciatura em arquitetura, é preciso ter um certo nível de alfabetização visual e senso de composição e design, só para mencionar algumas das habilidades necessárias. Por isso, não é fácil de encontrar os colegas perfeitos.

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Você emprega iniciantes e, em caso afirmativo, quais são as suas vantagens e desvantagens?

O nosso sistema de treinamentos internos ainda é uma parte muito importante da cultura da empresa. Dessa forma, os estagiários e novatos não apenas adquirem conhecimentos profissionais, mas aprendem a linguagem visual da Brick também.

De um modo geral, quais são os critérios utilizados na escolha dos candidatos? O que você espera deles?

De acordo com as nossas experiências, é difícil avaliar o profissional com base nas suas imagens de portfólio e afins. As escolas internacionais de computação gráfica jogam a rodo um exorbitante número de artistas 3D certificados, mas seus portfólios não refletem a verdade, porque as imagens ali contidas são, em sua maioria, criações de tutoriais e tarefas do curso guiadas, não verdadeiramente projetos independentes. A auto-suficiência é uma obrigação em um ambiente profissional! Em muitos casos, é difícil para nós filtrar esses portfólios e o conhecimento real do candidato só é revelado durante a entrevista. Ressaltando mais uma vez, conhecer os mecanismos e o funcionamento dos programas utilizados não é o suficiente.

O que vocês oferecem aos seus funcionários? Por que vale a pena trabalhar com vocês?

Por um lado, nós oferecemos um ambiente profissional onde, além das diversas variantes de tarefas a serem executadas, podendo-se rapidamente melhorar e evoluir as habilidades e conhecimentos, e isso é muito importante em uma profissão que se modifica tao rapidamente. Por outro lado, pretendemos sempre criar uma atmosfera de trabalho durante e depois do ofício que é convergente e melhora o pensamento criativo. Sem lenga-lengas, oferecemos um ambiente de trabalho que é sim uma comunidade e onde as pessoas estão felizes de estarem.

Conte-nos mais sobre o seu sistema de treinamento interno. Como ele funciona na prática?

Ao organizar workshops que apresentam processos específicos, os funcionários se sentem mais preparados para lidar com os diversos tipos e etapas do trabalho e as regras do trabalho em equipe, além de ser também uma importante ferramenta para se discutir novas ideias e abordagens. Além disso, treinamentos gerais são parte do fluxo de trabalho diário: artistas seniores e gerentes de projeto dedicam boa parte do seu dia auxiliando artistas mais novos e trainees em qualquer dúvida que tenham.

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Vocês tem atualmente vagas em aberto, e em caso afirmativo, onde se candidatar?

Sim, estamos constantemente em busca de artistas 3D qualificados! Você pode encontrar mais informações no nosso site.

Qual é o seu conselho para iniciantes na área de computação gráfica?

Adquirir conhecimento clássico, expandir sua perspectiva através das formas de arte relacionadas e o mais importante: fazer trabalhos pessoais – como já mencionei anteriormente.

Bem, acho que abordamos um pouco sobre diversos temas e recebemos muitas informações valiosas. Por último, você poderia por favor nos contar a sua opinião sobre o futuro da indústria? Quais seriam as novas grandes oportunidades?

A indústria tem crescido exponencialmente nos últimos três anos, e estamos esperando uma transformação radical do mercado de visualização arquitetônica num futuro próximo, devido ao aparecimento de novas plataformas, como a realidade virtual ou realidade aumentada. As empresas devem manter o ritmo e se adaptar a essas novas tecnologias com rapidez e de forma eficaz. Assim sendo, nós colocamos muita ênfase em nosso serviço VR, e já entregamos alguns projetos bem-sucedidos. Isso sem mencionar que trata-se de uma área excitante e cheia de novos desafios.

Desejamos-lhe muito sucesso no futuro e obrigado pela entrevista!

Obrigado!

Versões em outras línguas:

Versão húngara: http://www.meshmag.hu/2016/04/25/par-emberbol-negyvenfos-ceg-nehany-ev-alatt-interju-brick-visual-tarsalapitojaval/
Versão em inglês: http://brickvisual.com/interviewed-meshmag/

Versão russa: http://3ddd.ru/blog/post/intierv_iu_s_brick_visual

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